Nome: Breatix Kiddo
Conhecida Também Como: Black Mamba
Membro: O Esquadrão Das Víboras Assassinas
Mestre Em: Espadas Hattori Hanzo, Técnica dos Cinco Pontos Para Explodir o Coração e Arte Samurai
A Sua Lista:


The Deadly Vipers Assassination Squad:

1. Uma Thurman ::
The Bride/Black Mamba
2. Lucy Liu ::
O-Ren Ishii/Cottonmouth
3. Daryl Hannah ::
Elle Driver/California Mountain Snake
4. Vivica A. Fox ::
Vernita Green/Copperhead
5. David Carradine ::
Bill/Snake Tamer


I Love Music, Don't We All?
1. Nancy Sinatra - Bang Bang (My Baby Shot Me Down)
2. Malcom McLaren - About Her
3. Bernard Herrmann - Twisted Nerve
4. Johnny Cash - A Satisifed Mind
5. RZA - Ode To Oren Ishii
TOP Quarantino Movies:
1. Kill Bill vol. 2
2. Kill Bill vol. 1
3. Pulp Fiction
4. Grande Hotel
5. Cães De Aluguel
Baú do Tempo:


Kill Me, Do Me, Be Me!

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Domingo, Janeiro 16, 2005

Desejo Reprimido

Muitos ainda não entenderam o porquê de tal frenesi quando se refere a Kill Bill. O que acontece é que o venderam como um filme sobre amor, o que não concordo, muito menos discordo. Kill Bill transparece ódio, daqueles puros e que metem medo. Estrelando Uma Thurman no papel da vitimizada Noiva, Kill Bill é um espantoso retrato coberto de ação em reação a traição e banhado com épica vingança.
A história é simples: Uma é apanhada em seu casamento por um grupo de assassinos que ela pertencia, As Víboras Assassinas, todos são espancados e mortos e Bill (David Carradine), antigo chefe da Noiva, lhe dá o tiro de misericórdia na cabeça. O agente complicador é que a Noiva estava grávida, o filho era de Bill e ela não morreu.
Numa batalha de matar-ou-morrer que ela não começou, mas que ela está decidida a terminar, uma mulher cegada pelo ódio e pela sede de vingança de seu todo direito sai, após quatro anos de coma, em busca dos responsáveis pelo seu alvejamento.
Um casamento desfeito, um bebê açoitado e uma vida inacabada. Definitivamente, A Noiva merece sua vingança e ela vai conseguir.



x Por Gabriel | 1:31 AM | Where's Bill?: x (Clique nos Arquivos de Janeiro para ver todo o conteúdo de Kill Bill)

Sábado, Janeiro 15, 2005

Satisfação Alcançada

Quem duvidou quando disseram que Kill Bill era um filme de amor cometeu um erro primordial. No meio de tanto ódio, sempre há espaço para um pouco de amor. A Noiva não sentiria tanto ódio se não amasse sua filha que supostamente não nasceu tanto. Ela não sairia em uma busca incessante e frenética atrás de suas ex-companheiras e de seu ex-chefe Bill se não amasse os tanto a ponto de duvidar que eles a atacassem de tal forma.
Enquanto no Volume 1, Quentin Tarantino se mostrava na forma mais vigorante de fazer cinema, como mirabolantes cenas e enredos tão verossímeis quanto os jornais policiais, é no Volume 2 que suas reais intenções deliberadas e minimalistas se revelam.
Não só descobrimos o início da história, mas temos a possibilidade de traçar o quadro que Quentin pretendia incitar nos espectadores. O ponto de partida da história é romântico, o desenrolar é freneticamente violento, entretanto, o clímax, que inclusive nomeia o filme é uma belíssima figura de um amor descomedido.
Seja por saber o nome da Noiva ou por saber se ela mata Bill ou não, de uma forma nada convencional, Kill Bill Vol 2 é excitante do início ao fim.



x Por Gabriel | 4:12 PM | Where's Bill?: x (Clique nos Arquivos de Janeiro para ver todo o conteúdo de Kill Bill)

Audacioso Visionário

Pessoas representativas no showbiz sempre pareceu ser uma coisa difícil de achar, afinal, não existem dois Bill Gates, duas Madonna ou dois Dalai Lama. Quentin Tarantino se destaca tanto quanto os mencionados, não somente pelo seu talento peculiar em fazer filmes deliciosamente inesperados e marcantes, mas também por suas incursões em diversas áreas da cultura para compor suas obras primas.
Quentin Tarantino, nascido em 1963, seja talvez o talento mais volátil e distinto que apareceu na industria americana no início dos anos 90. Diferente da maioria dos diretores de 85-90, Tarantino desenvolveu seu dom como funcionário em estúdios de filmagem, ao invés de ser um diretor caseiro de escola. Conseqüência disso é a brilhante fusão da cultura pop com o cinema independente fazendo de seus filmes extasiantes, pois mesclam diálogos mergulhados num humor inteligente com extrema violência.
Diretor do maxi-sucesso Pulp Fiction de 1994, Tarantino passeou pelos caminhos da máfia em Cães De Aluguel (Reservoir Dogs - 1992) e arriscou sua veia cômica junto com outros três diretores em O Grande Hotel (Four Rooms - 1995). Nada, no entanto, escapou a apurada habilidade de Tarantino em trazer elementos de outras esferas da cultura para sua criação. Kill Bill, como amostra do que Quentin Tarantino reserva para o novo milênio, é um belo e suculento atrativo do talento daquele que é considerado o maior pioneiro, senão visionário, de maior destaque na indústria cinematográfica.


x Por Gabriel | 4:11 PM | Where's Bill?: x (Clique nos Arquivos de Janeiro para ver todo o conteúdo de Kill Bill)

Kill Bill tem sido descrito como um filme-guia para outros filmes. O jogo que Tarantino faz em Kill Bill ultrapassa a 7ª arte, envereda pela cultura oriental, a industria italiana dos anos 70, os quadrinhos japoneses e outras incontáveis formas de expressão. É o tipo de filme para pessoas que conhecem vários gêneros de filmes, para pessoas que vão dizer "Putz, isso já aconteceu em algum outro lugar!".
A influência básica do filme gira em torno da cultura kung fu e dos filmes western spagetthi dos anos 70. Existe mais de Bruce Lee em Kill Bill do que imaginamos. O ornograma cinematográfico criado por Tarantino é pincelado por diversos ícones do kung fu e filmes ninja dos primórdios da cultura fílmica japonesa. Percebemos isso claramente em personagens cruciais à história.
Hattori Hanzo, o espadachin que faz a espada mais famosa do universo, realmente existiu e é figurinha certa em diversos filmes de kung fu dos anos 70. Hanzo era um ninja pertencente ao clã da comunidade dos ninjas da Província Iga no Japão feudal. Sua destreza e habilidade singular no desenvolvimento de espadas samurai correram o mundo. Outro personagem de Kill Bill, Pai Mei, grande mestre de 150 anos, treinado de 11 entre 10 noivas sedentas em vingança, é outro exemplo de recorte inserido em Kill Bill. O notório Pai Mei foi eternizado nas telonas como o malvadão preferido de 9 entre 10 filmes que tinham a palavra Shaolin no título. Ambos, Hanzo e Pai Mei são interpretados em Kill Bill por Gordon Liu, ator consagrado por diversos, e toscos, filmes samurais dos anos 60-70.
Tarantino é célebre por sua versatilidade em beber em diversas fontes para montar seu épico grindhouse. Seria desgastante contar e apresentar por completo uma lista de filmes e músicas que influenciaram de alguma forma Kill Bill. É certo que o tema central da história nem de longe é inovador, vingança já era o tema de todos os filmes de velho-oeste e de kung fu há mais de 30 anos, o que diferencia agora é o talento de Tarantino em colocar diversos estilos e épocas diferentes soando absurdamente modernos. Não é à toa que o uniforme amarelo com listra preta da Noiva, interpretada por Uma Thurman, é o "mesmo" que Bruce Lee usa em O Jogo da Morte (Game of Death), filme rodado em 1973, mas só finalizado em 1978, muito depois da sua morte.


David "Bill" Carradine & HQ Kung Fu


Uma "Breatix Kiddo" Thurman & Bruce Lee

x Por Gabriel | 4:11 PM | Where's Bill?: x (Clique nos Arquivos de Janeiro para ver todo o conteúdo de Kill Bill)

A Vingança de O-Ren Ishii

Para muitas pessoas, o anime em Kill Bill foi o primeiro contato com o quão interessante esse arte originalmente japonesa pode ser. A história era a de O-Ren Ishii, de como seus pais foram apunhalados, e como ela alcançou vingança. A animação foi criada por Production I.G., um grupo de produção anime do Japão, tradicional na arte do mangá animado.
Num filme conhecido pela sua violência, talvez as cenas mais cruas sejam retratadas nessa seqüência anime. Para quem só via em anime meninas lindinhas de mini-saias ou cavaleiros vestindo armaduras para salvar deuses gregos, esse é um grande divisor de águas, provando que anime pode tanto ser aqueles desenhos de olhos gigantescos quando festivais sanguíneos como na seqüência de Kill Bill.
O-Ren Ishii era uma garota jovem, que crescia no Japão, quando ela presencia seus pais serem brutalmente assassinados por um chefe do crime. Acontece que esse chefe curte umas garotas pequeninhas, então O-Ren consegue chegar mais perto dele em pouco tempo - e o apunhala com a mesma crueza que ele. Ela se torna uma assassina, que agora mata por dinheiro. Rapidamente, com a ajuda de Bill, sua escalada até o mais alto topo do crime japonês é retratada de forma frenética e rápida no anime, que além de tudo, como tudo em KB, é fortemente influenciado por estilos de anime dos anos 80.
Websites: &



x Por Gabriel | 4:11 PM | Where's Bill?: x (Clique nos Arquivos de Janeiro para ver todo o conteúdo de Kill Bill)

Mais Pop Que o Pop

Um dos grandes prazeres de um trilha sonora é saber que ela não vai ser um caldeirão de modernices, com diversas canções de artistas que a gravadora tenta lançar e encher todo o cd. Lançada pela Maverick, selo de Madonna, as trilhas sonoras de Kill Bill são um espetáculo a parte para o espectador.
Em diferentes territórios de exploração, Tarantino refletiu essa diversidade na trilha sonora de Kill Bill, que funciona tanto em conjunto quando a parte do filme. Seja na truculenta "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)" ou no swing rockabilly de "That Certain Female", Kill Bill estabelece uma linearidade e divide-se entre canções clássicas e revivals de tempos passados. O funk intenso de Tomoyasu Hotei na grande "Battle Without Honor or Humanity", a música "publicitária" de KB, imortaliza memoráveis cenas, levando o ouvinte a passear pelos caminhos d'A Noiva. Já a segunda trilha é nada mais do que música incomum. Cinemática, imprevisível e ressonante após ver o filme.
A mínima presença de diálogos nas trilhas, que seria uma característica forte de Tarantino, só enfatiza o que o filme foca: a ação e o visual. De qualquer forma, a contradição dos estilos encontra sua própria coerência, e é isso que faz um álbum de verdade, que não reflete somente o filme, segue sua própria lógica e apresenta corajosa imaginação.

Trilha Sonora Kill Bill Vol. 1

Trilha Sonora Kill Bill Vol. 2

x Por Gabriel | 4:11 PM | Where's Bill?: x (Clique nos Arquivos de Janeiro para ver todo o conteúdo de Kill Bill)

Pioneirismo Cinematográfico


Kill Bill faturou 70 milhões de dólares nas bilheterias americanas (com o primeiro volume) e 25 milhões apenas no final de semana da estréia do Vol. 2, nos EUA. Mas as cifras importam menos que a ousadia estética de Tarantino, que faz uma síntese de todo o cinema de artes marciais oriental, transformando-se numa espécie de Sergio Leone da nossa geração.

Leone recriou, na Itália, o gênero americano por excelência. Seus western spaghetti foram sucessos instantâneos, baseados no extremo controle, que Leone tem do tempo fílmico, com seus closes intermináveis e a trilha sonora de Ennio Morricone (presente em Kill Bill também). Do mestre Tarantino, aprende-se que a expectativa é o grande trunfo do cineasta. Em Leone, o ritual de um duelo entre pistoleiros demora muito em seus preparativos (os passos certos, a troca de olhares, a paisagem) e tem uma conclusão rápida (tiros e corpos caindo). Leone foi o homem que levou essa "tensão" ao limite, mantendo o espectador sempre em suspense. Tarantino também aposta na demora e na espera, sem que isso seja sinônimo de tédio.

Kill Bill é um exercício de estilo, uma mistura de cinema de artes marciais com experiências de linguagem e de modelos narrativos diversos. O desfecho está anunciado no título do filme: Uma Thurman, a Noiva, vai matar Bill. Mas quanto tempo ela levará para consegui-lo? Tarantino parece ter o raro dom de adiar a resolução de sua saga indefinidamente, sem que isso incomode o espectador, seja em detalhes minuciosamente preparados que soam naturais ou em capítulos da história não aproveitados no filme. Do desenho animado para o clichê do cinema de ação, da comédia de costume para o cinema de terror B, de explosões de sangue a viagens de automóvel, tudo é um exercício para maravilhar e entreter.

Após Kill Bill, ainda haverá o cinema narrativo clássico, mas essa obra abre espaço para experiências novas e radicais, para a ousadia cinematográfica baseada mais no prazer das imagens e dos sons e, menos nas conclusões lógicas que podemos ter ao ler um mero resumo da trama do filme. Kill Bill 2 é a arte em estado bruto. Ainda há de ser lapidado, é um resumo do que veio antes dele, a lápide de certa narrativa lógica e linear, com base num sistema rígido: expectativa e resposta.

Mas não só todo o passado do cinema de ação se encontra em Kill Bill. Tarantino também lança a semente do futuro cinema. O que se frutificará daí, depende, apenas, de cada um dos cineastas que se contagiarão desta obra-prima.



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